quarta-feira, 7 de setembro de 2011

9ª Exposição de Artistas Plásticos Argentinos Residentes no Brasil

Por Jéssika Elizandra

De 10 de agosto a 4 de setembro, o Memorial da América Latina abrigou a 9ª Exposição de Artistas Plásticos Argentinos Residentes no Brasil. O Club Argentino de São Paulo, que organizou a mostra, tem como objetivo tanto afirmar a nacionalidade de seus membros, quanto integrá-los à população brasileira.

O curador da exposição, Oscar D`Ambrosio, comenta o que mudou das edições anteriores da exposição para a mais recente, o tema “Florestas” (escolhido após a ONU declarar 2011 o Ano Internacional desses ecossistemas tão ameaçados) e o processo de produção das obras.

Participaram da mostra 23 artistas plásticos argentinos, sendo 19 deles residentes do nosso país. Além de pinturas, a exposição exibiu esculturas e uma instalação. Oscar D`Ambrosio explica a influência do Brasil e da Argentina no trabalho dos artistas.


Antonio Lizárraga, artista plástico argentino radicado em nosso país, foi o homenageado nesta edição do evento. Representante do abstracionismo geométrico, faleceu em 2009, deixando, além das ilustrações e pinturas que lhe deram fama, obras onde utilizou técnicas como gravura e serigrafia. Duas destas últimas abriam a exposição.

O que mais chama atenção nas obras expostas é que elas não têm um estilo puramente argentino ou brasileiro, mas sim uma mistura dos dois, resultando em uma estética bastante original. Apresentam também uma grande variedade de técnicas, estilos e nos materiais utilizados para confeccioná-las, devido ao grande número de artistas expondo. Confira algumas:




A obra de Leila Monsegur agrada não só pelo pleno domínio da técnica, mas pelo simbolismo e emoção que consegue transmitir.







Eduardo Schamó, em suas três obras,
utiliza materiais reaproveitados.







Ester Santiago mostra a natureza enfrentando as violências as quais o homem a submete.









Horacio Gerpe utilizou madeira de cedro, folha de ouro e cobre, na produção de sua "Árvore do Conhecimento na Floresta de Eldorado".








Juan Maresca utiliza colagem manual de papéis coloridos, escaneamento do resultado, digitalização, impressão em tela vinílica e aplicação de pintura florescente, em umas das obras mais belas da exposição.



O evento se repetirá em 2012, com o tema “Escritores Argentinos”. Cada artista poderá escolher o escritor ou o livro argentino que deseja homenagear, contanto que estes não se repitam. O objetivo é apresentar á sociedade brasileira autores argentinos que não sejam os mais conhecidos, como Jorge Luis Borges ou Julio Cortázar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Diferente, Pero no Mucho - 02/09/2011

E foi ao ar a primeira revista "Diferente, Pero no Mucho" do semestre! Quem perdeu já pode ouvir aqui no nosso blog.

Entre os destaques dessa edição, conflitos indígenas na Amazônia boliviana, a questão da universidade pública na Argentina e também no Chile, imigração latina no Brasil, 100 anos de Machu Picchu e muito mais.

Novo Relatório sobre as vítimas da Ditadura Pinochet

Protestos por reconhecimento das vítimas das ditaduras latino-americanas
Foi divulgado recentemente no Chile, o terceiro relatório sobre a ditadura de Augusto Pinochet. O documento publicado pela Comissão Valech mostra um aumento no número de vítimas e mortos em relação ao relatório anterior. Estima-se que há mais de 40 mil vítimas e 3.225 pessoas entre mortos e desaparecidos.

A Ditadura Pinochet durou 17 anos e foi um período muito conturbado na história do país. Financiada pelos Estados Unidos numa tentativa de mostrar que um governo ditatorial seria melhor que um governo socialista (o governo de Salvador Allende), o golpe militar foi marcado pela morte de vários artistas e da elite pensadora, além de cidadãos comuns. Iuri Cavlak, professor da Universidade Federal do Amapá, explica que sendo o Chile um país pequeno, a proporção do número de vítimas se torna absurda. “60 mil desaparecidos em um país como o nosso, de 150 milhões de habitantes na época era uma coisa. Agora em um país que tinha sei lá, 10 milhões de habitantes é uma fratura muito maior, sem falar daqueles que foram presos, perseguidos, torturados ou mortos”.

A Comissão Valech, autora do relatório, percorreu o Chile entrevistando cerca de 30 mil pessoas, mas muitas vítimas ficaram de fora por medo, por morarem afastadas ou ainda por falta de informação. Por esses motivos, o professor comenta que a Comissão deveria ser permanente: “São crimes dos anos 70. Já estamos em 2011 e ainda não se sabe quais são os danos humanos, em termos de vida, da ditadura. Então a comissão deve existir para que sejam aprofundadas essas investigações”.

Ainda segundo o professor, a indenização às vítimas é necessária apesar de que “Não há valor para uma vida humana". Para ele, outras medidas são necessárias como o reconhecimento de pessoas que sofreram indireta ou diretamente com a ditadura, e a prisão dos generais culpados e o Estado chileno tem que ser reconhecido como o autor das mortes e do terrorismo causado na época.

Em outros países da América Latina está ocorrendo um início, bem tímido, de reconhecimento dos crimes cometidos durante a ditadura. Na Argentina alguns militares que participaram ativamente do processo foram condenados. Isso pode ser considerado como uma abertura dos arquivos da ditadura até certo ponto. Segundo Iuri. “Deveria ser um ritmo maior, porque por enquanto eles estão pegando os generais mais velhinhos. É melhor que nada! Mas para as pessoas que foram injustiçadas ainda fica um gostinho de quero mais. Precisaria ir mais além: mais justiça, mais abertura e mais punição”.

Segundo ele, “O Brasil está na rabeira, na retaguarda. Estão dificultando muito o acesso aos arquivos, não estão punindo ninguém e nós não vemos movimentação dos políticos nesse sentido”. Para o professor, o Brasil não tem tanto interesse que mexam nos arquivos, porque os políticos e militares que fizeram parte do golpe estão ainda hoje no poder. Além da Argentina, nenhum país latino-americano teve alguma abertura dos seus arquivos militares.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Rodeada de mistérios, Machu Picchu completa 100 anos de sua descoberta

Por Ana Carolina Costa e Kelly De Conti Rodrigues

No dia 24 de julho de 1911, o professor norte-americano Hiram Bingham, integrante de uma expedição financiada pela Universidade de Yale (Estados Unidos) e pela National Geographic, encontrou as ruínas daquilo que parecia uma cidade no cume de uma montanha localizada em meio à floresta amazônica no sudeste do Peru. O lugar foi chamado de Machu Picchu, que significa velha montanha em quíchua, uma língua indígena da região. Era um novo mundo a ser explorado.

Hoje se sabe que as construções da “cidade perdida” (apelido dado ao local por Hiram) datam do século XV e foram construídas a mando do imperador inca Pachacútec. Mas ainda existem perguntas a serem respondidas. O fato de a cidade estar localizada em um local pouco propício para planos de engenharia ou o significado das misteriosas construções de Machu Picchu são questões que permanecem.

A cidade perdida é dividida em duas partes: uma agrícola, formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a outra urbana, na qual se destaca a zona sagrada, com templos, praças e mausoléus reais. Considerada um Patrimônio Mundial pela UNESCO e uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, ela atrai turistas do mundo todo.

A grande quantidade de pessoas que freqüentam o local, no entanto, causou alguns problemas. Segundo a Unesco, a estabilidade da montanha poderia estar em risco e, para garantir a preservação, o órgão estabeleceu o número máximo de 1.800 visitantes por dia. Apesar da restrição, Machu Picchu representa 70% da arrecadação do Peru com turismo, o que se traduz em 100 milhões de dólares por ano.


Especialista explica os mistérios de Machu Picchu

Confira a entrevista que Cristiana Bertazoni, doutora em História Pré-Colombiana pelo Departamento of Art History and Theory da University of Essex (Inglaterra), concedeu ao Pero. Cristiana fala sobre as teorias envolvendo Machu Picchu e a civilização inca:
Entrevista com Cristiana Bertazoni


Uma visita diferente, pero no mucho

Neste site, você pode fazer um tour virtual por Machu Picchu:
http://www.panoramas.pe/machupicchu100.html

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Flauta de Pã sopra os ventos andinos



As nações andinas evocam um único som. Grave ou agudo, é o selo que une os povos daquela região. A flauta de pã é feita de bambu, carrega orgamentos quechuas e assemelha-se a um orgão de sopro. Aliás, para tocar esse instrumento é preciso muito fôlego, já que o som é o resultado do sopro sobre os canos de bambu.

A origem da flauta é controversa. Dizem que um certo dia, um velho andino volatava para a sua casa, no campo, quando ouviu pela primeira vez o vento ecoar pelos bambus produzindo uma melodia divina.

Achando ser um presente do Deus do Vento, o ancião construiu sua própria flauta, dando início a um forte traço da cultura andina. A música doce e forte dessa flauta marca a tradição desse povo.

"Não sei tocar, é muito difícil. Mas é um som do nosso folclore", diz Rafael, boliviano residente em São Paulo.

Durante as comemorações da Independência da Bolívia, foi possível ver muitas flautas de Pãs na Praça Kantuta, zona norte de São Paulo, e reduto de comunidades latinas.




Mais quem foi Pã?

Pã é um deus grego. Ele represeta os bosques e os pastos. Se você assistiu o filme Labirinto de Fauno vai saber de quem eu estou falando, Pã é o deus com chifre e pés de cabra.

Pã se apaixonou  por Syrinx, mas ela não quis se aproximar dele. O deus encontrou consolo nos caniços da encosta do rio Lineu; e os transformou em uma espécie de instrumento.

------

Quer aprender a fazer uma flauta de Pã? Dá uma olhada nesse blog aqui ou no vídeo abaixo, que ensina como construir um flauta de material reciclado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Saiba mais: corrida eleitoral na Argentina

Candidatos passaram por eleições primárias no último domingo
Entre os principais candidatos à presidência da Argentina estão Cristina Kirchner, atual presidente do país e representante do partido Justicialista Frente para La Victoria, Ricardo Alfonsín, da Unión Cívica Radical, e o ex-presidente Eduardo Duhalde, do Partido Justicialista, e Hermes Binner, do Partido Socialista. Também estão no páreo Alberto Rodríguez Saá, do Partido Justicialista; Elisa Carrió, da Coalición Cívica ARI (CC-ARI); Jorge Altamira, do Partido Obrero; Alcira Argumedo, do Proyecto Sur; José Bonacci, do Partido del Campo Popular, e Sergio Pastore, do Movimiento de Acción Vecinal.

São essas as propostas e diferenças entre os três candidatos mais votados nas primárias:
Cristina Kirchner, candidata à reeleição, defende basicamente que sua proposta é a continuação do trabalho que vem fazendo no país. A presidenta defende uma reforma eleitoral e partidária. Cristina também promete melhor distribuição de renda, defesa dos direitos humanos e fortalecimento da soberania nacional. A proposta mais inusitada é a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas argentinas.

Alfonsín, o segundo mais votado nas eleições primárias do dia 14 de agosto, defende a reforma do código de processo penal, maior fiscalização sobre os recursos administrativos e públicos e maior acesso à informação. O candidato promete criar uma lei que coordene e fiscalize o acesso à informação de maneira que haja maior discussão sobre questões como políticas públicas, bem como o maior interesse e a maior divulgação de questões relacionadas aos governos e à política de uma maneira geral.

Diferentemente de Cristina, que defende a continuação de um trabalho, Duhalbe acredita que um novo rumo precisa ser traçado. O candidato propõe modernizar o transporte, e defende melhorias na saúde, segurança e educação. Duhalbe propõe, ainda, a criação do “Ministério dos Jovens”, para fortalecer a participação política deste segmento da sociedade, além de buscar benefícios que os atinjam.

A esquerda

O candidato da Frente de Izquierda y de los Trabaladores, Jorge Altamira, apesar de conquistar 2,37% do eleitorado nas eleições primárias, apresenta propostas polêmicas e é considerado um dos únicos candidatos de oposição ao atual governo. Uma de suas propostas mais radicais determina que nenhum funcionário político possa receber salários maior que dos professores. O não pagamento da dívida externa é uma das questões que defende.

Veja Mais:

A Favorita:

Cristina alcança todas as classes sociais:
http://www.clarin.com/politica/elecciones/Cristina-voto-distintas-clases-sociales_0_536946322.html

Vídeos:

O que são as eleições primárias?
http://www.youtube.com/watch?v=tvxj0Zx2CUc
http://www.youtube.com/watch?v=i0Yk8NXs53c

Retomada

O Diferente, Pero no Mucho está de volta em Agosto com muitas novidades. Nossa equipe ganhou novos integrantes e o programa voltará ao ar ainda nesse mês, trazendo todas as principais notícias do nosso (sub)continente, além das tradicionais matérias que trazem à nossa realidade um pouco mais sobre política, sociedade e cultura dos nossos "hermanos" latino-americanos. Aguarde!