sábado, 12 de março de 2011

Dois dias em Buenos Aires: Parte I - A Cidade


Ruas largas e arborizadas, prédios que são verdadeiras obras primas arquitetônicas e muitos parques. Quem chega a Buenos Aires fica deslumbrado com a beleza e a tranquilidade que governam a maior e mais importante cidade argentina. E o Diferente, Pero no Mucho leva você para conhecer um pouco dessa capital através de uma série de reportagens em três partes.

vista aérea da Av. San Martin
(foto de fenixtur.com.br)

O distrito Federal da Argentina fica na Província de Buenos Aires, ladeado pelo Rio de la Plata, com os seus mais de 290 quilômetros de largura. É a principal cidade argentina e a segunda maior na América Latina. A Grande Buenos Aires conta com um amontoado de 13 milhões de pessoas, perdendo apenas para os 19,6 milhões da grande São Paulo, no Brasil.

Nessa primeira parte da reportagem, fizemos um tour por alguns dos mais famosos bairros da capital - dentre um total de 48 - para contar um pouco de suas histórias.

No Bairro do Retiro está a maioria das casas da capital. Nele há ainda dois terminais de ônibus que levam passageiros da cidade e da província para o resto do país. O Terminal de trem do Retiro é por onde chegam todos os dias os trabalhadores da capital.
Também nesse bairro foi onde, no centenário de sua revolução, a Argentina recebeu de presente, da então aliada comercial Inglaterra, a torre que hoje se ergue da estação, rasgando o azul do céu. Essa torre costumava ficar na antiga "Praça dos Ingleses", mas após a Guerra das Malvinas, uma disputa armada entre os dois países em 1982, a praça trocou de nome, ficando conhecida como Praça Força Aérea, em homenagem aos militares que lutaram no conflito.

Já os trens foram extremamente importantes para a economia do país, trazendo os produtos agrícolas para o porto de Buenos Aires, enquanto quase todas as exportações tinham destino à Inglaterra. Nessa época, de 1860 a 1900, a Argentina viveu uma fase muito rica de sua história.

A principal avenida de Buenos Aires é a San Martin, e é também a mais extensa do mundo, cortando a cidade com seus 40 km de extensão. O nome é uma homenagem ao revolucionário que lutou contra o domínio espanhol na época da independência do país.

Na área norte da capital, onde fica o Bairro de Recoleta, estão os principais parques e praças da cidade - a maioria desenhados pelo arquiteto Carlos Thais. Diferente do que acontece nas grandes metrópoles do Brasil, não vemos grades ou muros fechando as áreas de lazer, onde é comum assistir a familias inteiras curtindo um domingo ao sol e praticando exercícios ao ar livre, uma vez que é um excelente lugar para se passear e caminhar.

Após a crise de 2001, o bairro da Recoleta recebeu um novo cartão postal. A "Florais Genérica" (à dir.), uma flor de metal de 20 metros de altura, que ergue-se imponente por entre as árvores da Plaza de Las Naciones Unidas. Presente de um arquiteto argentino que vivia nos Estados Unidos, a flor se fecha todas as noites e volta a se abrir pela manhã. "A ideia é mostrar que todos os dias a Argentina volta a nascer." diz guia turístico Albano Garibaldi.

Deixando a Recoleta, passamos a conhecer o Bairro de Palermo, onde encontramos enormes mansões. Na época de ouro das importações, as principais famílias argentinas e os grandes proprietários de terra viviam nesses luxuosos casarões, hoje convertidos em embaixadas. (.)



Não perca a segunda parte dessa reportagem. Nela, o "Diferente, Pero no Mucho te levará para conhecer o famoso cemitério da Recoleta, onde está enterrado o corpo de Evita Perón, e para fazer um passeio pelos bairros da Boca e Porto Madero.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Diferente, pero no mucho (30/11/10)

Na última edição de 2010, confira em um minidoc a história de Néstor Kirchner, e uma entrevista com a jornalista mexicana Sanjuana Martinéz. Conheça a lambada, forte ritmo boliviano, e fique por dentro da situação causada pelo surto de coléra no Haiti, e outras notícias sobre o mundo latino-americano.
P.s.: A equiper do "Diferente, pero no mucho" pede desculpas pela demora da postagem da ultima edição do ano de 2010. Houve problemas com a tecnologia de postagem que dificultaram a postagem na data correspondente.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Boletim Semanal Haiti (13/12 - 26/12)

A ONU anunciou na sexta-feira (17) que montou um comitê para investigar as origens da cólera presente no Haiti. Entretanto, nega que suas tropas teriam trazido a cepa para o país.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, acredita que "o comitê será capaz de descobrir as respostas que o Haiti precisa saber". Segundo Ki-moon, existem várias teorias e relatórios que apontam diferentes origens para a doença no país, mas que a ONU pretende chegar a uma conclusão.

Na República Dominicana foram confirmados novos casos da doença com vínculos com a fronteira do Haiti. O número subiu para 46, todos devidamente tratados e sem risco de vida, segundo fontes do Ministério da Saúde. Outra jornada de conscientização sobre a cólera e suas formas de prevenção foi realizada no país, as autoridades pedem para que a população siga as medidas.

No dia 20, as autoridades responsáveis pelo processo eleitoral pediram para que o anúncio oficial dos candidatos concorrentes ao segundo turno fosse adiado. O orgão não estabeleceu uma nova data para o anúncio.

Nos dias 22 e 25, aviões fretados levaram um total de 300 crianças para Paris, França, para se uniram a suas famílias adotivas. Os terremotos do começo do ano tiraram a vida de 250 mil pessoas (números não oficiais, segundo o governo) e diversas crianças ficaram sem familiares. Diversos países procuraram agilizar o processo de adoção para contribuir para o restabelecimento do país afetado agora pela cólera.

Boletim Semanal Haiti (5/12 - 12/12)

No domingo (5), a capital Porto Princípe foi marcada por manifestações, em consequência do anúncio parcial dos votos computados na eleição do final de novembro. Os manifestantes protestavam contra a atuação do governo e possíveis fraudes no processo eleitoral. Convocados por candidatos da oposição, os protestos seguiram para o Palácio Presidencial derrubando a barreira criada pela polícia local e causando tumulto. Os gritos e cartazes pediam a saída do atual presidente René Préval do poder, além da retirada das tropas das Nações Unidas.

Outros protestos incluiram barricadas de pneus e queima de carros, além do incêndio a sede do partido governista Inité. Em alguns bairros da capital, era possível ouvir tiros sendo disparados para conter os manifestantes.

Para observadores políticos externos existem sinais de fraude no processo eleitoral. Entretanto, tanto a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a Caricom (grupo que integra ilhas da região do Caribe) consideram o processo eleitoral válido - "apesar das sérias irregularidades" - e estão ajudando no processo de contagem dos votos.

Os candidatos que passaram para o segundo turno, que será realizado no dia 16 de janeiro, foram o candidato governista - apoiado por René Préval - Jude Celestin, e a ex-primeira dama, Mirlande Manigat. Os demais candidatos alcançaram percentuais menores do que um por cento e acusam abertamente o governo de fraude eleitoral. Entretanto, rejeitam a possibilidade de recontagem de votos já que o processo demoraria demasiadamente, sem data prévia para ser divulgado. Segundo um dos candidatos, Michel Martelly, o atual governo teria implantado cédulas de voto em diversas urnas, buscando eleger seu próprio candidato.

Na terça-feira (7), o ministério da Saúde do Haiti atualizou o número de mortes causadas pela cólera. O número estimado é de 2.200, entretanto, a ONU acredita que o número de fatalidades possa ser maior. O departamento mais afetado foi o de Artibonite, onde a doença teria afetado sua vítima zero. No mesmo dia, a República Dominicana confirmou mais casos no país, totalizando um número de 20 casos, sem fatalidades.

Um relatório divulgado no começo da semana por especialistas franceses vem causando polêmica. O relatório aponta que a cólera teria surgido no acampamento das tropas nepalenses da ONU, localizado no centro do país. A propagação teria ocorrido com a drenagem de dejetos do acampamento para o rio Artibonite. A cepa encontrada é característica da região do sul da Ásia.

Fidel Castro, ex-ditador cubano, também confirmou o dado, apresentando um relatório de médicos cubanos que coletaram dados dos primeiros doentes, identificando a cepa sul-asiática e a classificando como o mais severo tipo de cólera.

Uma cópia dos relatório foi enviado a ONU que negou e pediu provas mais concretas sobre a origem da doença.

No mês passado, manifestantes haitianos foram as ruas acusando as tropas da MINUSTAH de trazerem a cólera ao país.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Inflação na Argentina é terceira maior do mundo

Ao contrário do que previam as medições oficiais, que alegavam que a inflação não passava de 10%, novas estatísticas mostram um crescimento de até 25% nesse ano. Esse número coloca a Argentina como uma das maiores inflações do mundo, perdendo apenas para o Congo, com 31%, e a Venezuela, com 28%.

De acordo com informações do jornal argentino, La Nacion, o FMI encontrou dados críticos sobre as medições anteriores. As estatísticas estariam sendo manipuladas pelas empresas privadas, responsáveis por medir os preços no país.

Em novembro, o FMI foi procurado para ajudar o governo a criar um novo IPC, Instituto que mede as variações de preços. O Governo acreditava que haveria problemas nos métodos utilizados. No entanto, os analistas estrangeiros concluiram que o problemas estavam nos dados, a maioria, errados.

Os consumidores argentinos tem que mudar seus padrões de consumo para se adaptar a inflação. Alguns alimentos subiram mais de 40% apenas esse ano. Em Buenos Aires, muitos enfrentam filas enormes para terem acesso a carne subsidiada pelo governo. O benefício, no entanto, não engloba os peixes, cujo preço vem subindo. Alguns consumidores se organizam em grupos para dividir os produtos entre vizinhos e parentes.

Economia latina cresce 6% em 2010

De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), órgão ligado a ONU, a economia da América Latina deverá crescer cerca de 6% em 2010.

O Paraguai lidera o bloco, com um crescimento de cerca de 9,7%. O setor que impulsionou esse crescimento foi o agropecuário, sobretudo a produção de soja e a criação de gado.Em seguida temos Uruguai, com 9%, Peru, com 8,6% e Argentina, com 8,4%. O Brasil ficou na quinta posição, com 7,7% de crescimento previsto.

A Venezuela é o único país da região a ter dois anos seguidos de recessão. Apresentou um índice de -3,3% em 2009, e fecha 2010 com -1,6%. O mal desempenho do país pode estar relacionado às oscilações de preço no petróleo, seu principal produto de exportação. No entanto, o organismo mostra um quadro diferente para o próximo ano. Em documento divulgado hoje, a Cepal prevê um crescimento de apenas 4,3% para a região em 2011."Diversos fatores começaram a indicar, a partir do segundo semestre de 2010, um cenário menos otimista para a economia internacional que, somado à diminuição do impulso proveniente dos gastos públicos e o esgotamento da capacidade produtiva ociosa, devem levar a um menor dinamismo das economias da América Latina e o Caribe em 2011", apontaram técnicos da Cepal para ao portal de notícias do Estadão. No Brasil, o crescimento deverá ficar na casa dos 4%.

Chávez quer regular a internet

O presidente  da Venezuela, Hugo Chávez, demostrou sua intenção de criar uma lei que regule a internet em seu país, após ter lido uma declaração da chanceler alemã, Angela Merkel. "Ela disse algo muito correto, que a Internet não pode ser uma coisa livre onde se faça e se diga o que seja, cada país tem que aplicar suas regras" afirmou Chávez.

O motivo seria a falsa publicação da morte do Ministro de Obras Públicas e aliado próximo, Diosdado Cabello, pelo site venezuelano noticiasdigitales.com.  Diosdado ainda é presidente da Conatel, órgão regulador das telecomunicações. "Temos que trabalhar nisso. Vamos pedir apoio do promotor e da promotoria, porque isso é um delito. Tenho informação de que essa página periodicamente publica apelações de golpe de Estado", acrescentou o presidente, que também defende a regulamentação da TV por Satélite.

A proposta já foi apresentada à Assembléia, e segundo o presidente, deve ser votada antes da mudança dos deputados em 05 de janeiro, quando ele deixará de contar com a maioria absoluta no plenário.

Os opositores do governo dizem temer que Chávez siga os moldes de governos ditatorias como os de Cuba, Irã e China. Três anos atrás, o presidente Chávez negou a concessão para o canal da oposição, o RCTV.  O governo venezuelando alegou que o canal teria participado da tentativa de golpe de estado em 2002. A emissora saiu do ar da rede por assinatura por ação da Conatel, que também foi responsável pelo fechamento de 64 emissoras de rádio.