sábado, 22 de outubro de 2011

Eleições argentinas: Cristina é favorita e oposição já discursa como derrotada

Na véspera das eleições presidenciais na Argentina, com a presidente Cristina Kirchner como favorita absoluta à vitória no primeiro turno, você ouve aqui um boletim exclusivo produzido pela nossa correspondente Aline Camargo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Música sem fronteiras

Por Ana Carolina Costa e Kelly De Conti


As fronteiras entre o Brasil e alguns de seus países vizinhos estão bem demarcadas, mas apenas se limitarmos essa visão ao aspecto geográfico. Um dos exemplos mais nítidos de proximidade e quebra de fronteiras fica por conta de elementos culturais. A música, em especial, vive um momento de integração entre o estado brasileiro do Rio Grande do Sul e os países platinos Argentina e Uruguai.

Entre os principais responsáveis por essa conexão entre as músicas de tais locais estão os brasileiros Vitor Ramil e Marcelo Delacroix, os irmãos uruguaios Jorge e Daniel Drexler e o argentino Kevin Johansen. A cantora e compositora uruguaia Ana Prada também é um nome forte. Outro movimento de aproximação ocorreu com a formação do grupo Surdomudo Imposible Orchestra, idealizado pelo brasileiro Arthur de Faria e pelo argentino Carlos Villalba.

O Templadismo, nome criado pelos irmãos Drexler para designar o vínculo entre os artistas da região, quebra as fronteiras territoriais e estabelece relações entre os temas das letras e o ritmo das canções. No texto abaixo, há a trajetória desses artistas e as características das músicas, além de algumas indicações selecionadas pelo Diferente, Pero no Mucho.

A equipe do Pero também entrevistou a doutora em Comunicação e Informação Vera Raddatz, que tem como um dos focos de sua pesquisa a identidade cultural em regiões fronteiriças. Ela falou sobre a música dos pampas e a relação desta com os habitantes da região. A forma curiosa como os veículos de comunicação transmitem o intercâmbio cultural também foi tema da entrevista com a pesquisadora gaúcha. Clique aqui para ouvir.


Personagens do Templadismo

Vitor Ramil

Com pouco mais de 30 anos de carreira, Vitor Ramil é um dos principais nomes da música gaúcha. Sua trajetória, iniciada aos 18 anos de idade, foi marcada por trabalhos ricos em termos de experimentação musical e composição. Em 1997, ao lançar o CD “Ramilonga – A estética do frio”, inaugurou as sete cidades da milonga (ritmo presente no Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai): Rigor, Profundidade, Clareza, Concisão, Pureza, Leveza e Melancolia. Percorrendo o imaginário regional gaúcho e o espaço urbano do estado, alcançou uma contundência e originalidade musical que elevariam esse trabalho como o marco zero de sua carreira artística. Era o resultado de um projeto iniciado quatro anos antes, quando lançou o artigo “A estética do frio” em uma coletânea chamada “Nós, os gaúchos”, publicada pela Editora da UFRGS. O trabalho seguinte, “Tambong”, gravado na Argentina, trouxe à tona as combinações da musicalidade e poesia brasileiras combinadas com as dos países do Prata (Argentina e Uruguai). No final de 2004, Vitor Ramil lançou o livro “A estética do frio – Conferência de Genebra”, resultado da palestra apresentada na cidade suíça em 2003. As ideias contidas na publicação ganharam repercussão no Brasil e em seus vizinhos platinos. Hoje, Vitor Ramil trabalha em parceria com os irmãos Jorge e Daniel Drexler na tentativa de consolidar o movimento de intercâmbio musical na região.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=JP5zTlLZ4os


Jorge e Daniel Drexler

Vindos de uma família de músicos, os irmãos Drexler, nascidos em Montevidéu, buscam reunir artistas da região e estabelecer um vínculo entre a paisagem platina, a temática das letras e o tom melancólico das canções. Jorge (na foto à esquerda), em 2005, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora pela música “Al otro lado del rio”, do filme Diários de Motocicleta. A premiação abriu novas portas para a possibilidade de intercâmbio musical entre artistas brasileiros, uruguaios e argentinos. Essa certa música do sul vem sendo chamada de “templadismo”, nome criado por Daniel (na foto à direita), que, como médico otorrinolaringologista, atende os principais músicos uruguaios, entre eles Jaim Ross, Fernando Cabrera, Antonio Fattoruso e integrantes de bandas como No te va gustar e La Trampa. Desse contato, nasceram muitas parcerias.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=pgrebW35hag&feature=related


Ana Prada

Cantora e compositora uruguaia, Ana Prada também tem um trabalho voltado para as raízes culturais de seu país. No seu primeiro disco solo, “Soy sola”, lançado em 2007, os ritmos folclóricos do Prata estão presentes em uma mistura com influências da música mundial, como o rock. Integrante do quarteto vocal feminino La otra, já trabalhou com ícones da música popular uruguaia, como Fernando Cabrera e Rubén Rada. Juntamente com Daniel Drexler, Vitor Ramil, Marcelo Delacroix, Ana tem viajado para mostrar o espetáculo SinFronteras.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=JI-oJBYtfQU&feature=related


Kevin Johansen

Criado na Argentina desde os 12 anos de idade, Kevin Johansen começou sua carreira musical em bandas de rock locais, como a Instrución Cívica. Entre 1990 e 2000, morou em Nova Iorque, onde tocava em bares de música latina. Após o regresso à Argentina, gravou quatro discos fortemente marcados pela mistura de ritmos latino-americanos e pelo bilingüismo, uma mistura constate entre inglês e castelhano. Kevin é um dos principais promotores da integração entre brasileiros, argentinos e uruguaios.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7k-wWOdPiCM


Marcelo Delacroix

Músico, cantor, compositor, produtor, arranjador e educador musical. Esse é Marcelo Delacroix. Formado em música pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), ele traz em seu currículo dois Prêmios Açorianos de Música de Melhor Disco de MPB e um de Melhor Disco do Ano. Suas trilhas para teatro e espetáculos de dança também já lhe renderam muitas premiações e/ou indicações. Seu trabalho tem grande influência dos ritmos e paisagens platinas.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ynJGGKE7NrM


Surdomundo Imposible Orchestra

Nascido da iniciativa do compositor gaúcho Arthur de Faria e do produtor argentino Carlos Villalba, o grupo Surdomundo Imposible Orchestra é um dos mais claros exemplos desse movimento de integração entre a música gaúcha e a de seus vizinhos platinos. Durante dois anos, os idealizadores do projeto tentaram conciliar as agendas de sete artistas vindos daquele que se convencionou chamar “Sur Del Mundo”, mas só em 2010 o primeiro encontro de fato aconteceu. A partir de então, formou-se a banda, que conta com nomes importantes de grupos famosos da região, como Los Shakers e a Orquestra Típica Fernandez Fierro, além de consagrados artistas de carreira solo, como Martín Buscaglia. Também fazem parte do grupo Ignacio Varchausky (Argentina), Mauricio Pereira, Caito Marcondes e o próprio Arthur de Faria.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=sDc_ULYDVFM&feature=related

terça-feira, 27 de setembro de 2011

América Latina é uma região de conflito

Latino pode ser associado a caloroso, festivo e boa gente. As grandes guerras do continente ficaram lá atrás, na formações das república, e ouve-se falar com uma tristeza solene os tempos difíceis das ditaduras.

A América Latina é uma região de conflitos. Ao final das ditaduras, muitos países da região seguem com batalhas internas, a maioria ligadas a questão da terra.

O mais conhecido conflito na região é o da Colômbia. O país vive em situação beligerante desde metade do século passado, com as batalhas entre os paramilitares, guerrilhas e o exército.

No Chile, o final da ditadura de Pinochet não acabou com as perseguições políticas. Já em Cuba, desde o início do governo de Fidel, independente de ideologias, há coerção de certa parte da população. No Peru, o conflito fica a cargo do Sendeiro Luminoso - uma guerrilha cujo o objetivo era o de superar as instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia.

América Latina é a região mais perigosa do planeta


Em 2011, a América Latina tornou-se a região mais violenta do mundo. Segundo os dados do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), 27% dos homicídios do planeta ocorrem no subcontinete. Esse número indica que cerca de 90 mil pessoas são assassinadas na região. A OEA (Organizações dos Estados Americanos) alertou que a cada quatro minutos, uma pessoa morre por motivos violentos.

Em 2008, o título de cidade mais violenta do mundo foi para a mexicana Ciudad Juárez. A cidade  faz fronteira os Estados Unidos, mais precisamente com a cidade de El Paso, no Texas.

Em Juárez vivem cerca 1,4 milhão de mexicanos e a taxa de homicídios foi de 130 vítimas a cada 100 mil habitantes, naquele ano. A violência em Juarez é devido ao trafico de narcótico que deu para a cidade o título de Cartel de Juarez. Em 2010, o local foi palco de chacinas, deixando cerca de 3 mil mortos ao final daquele ano.

No Brasil, o Ministério da Justiça lançou em janeiro desse ano um ranking com as cidades mais violentas do país. Ituporanga, no estado do Pará, superou a cidade de Juarez no México, com uma taxa de um pouco mais de 160 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Entre as 30 cidades mais perigosas do Brasil, oito estão na região norte. Porém, é o nordeste que alcança a vergonhosa liderança de região mais violenta, tendo 12 cidades entre as 30 mais perigosas.

No dia 14 de setembro, a administradora geral do Pnud, Helen Clark, esteve no Fórum de Segurança Regional, Cidadã e Desenvolvimento. Ela convocou os governos latino-americanos a trabalharem em programas integrais que fortaleçam o combate contra a violência e o crime organizado. Ela acrescentou também que os países da América Latina destinaram recursos entre 5% e 40% de seu produto interno bruto (PIB) para fazer frente à insegurança.

Mas também advertiu que esses países "não podem destinar somente recursos para combater a criminalidade deixando de lado os programas de desenvolvimento". Por isso, a administradora geral se dedicou a criar planos integrais de cooperação regional nesse sentido.

VEJA O RANKING NO M.J.

  • 1º. Itupiranga – 160,6 homicídios por 100 mil habitantes
  • 2º. Simões Filho – 152,6 homicídios por 100 mil
  • 3º. Campina Grande do Sul – 125,5 homicídios por 100 mil
  • 4º. Marabá – 125 homicídios por 100 mil
  • 5º. Pilar – 110,6 homicídios por 100 mil
  • 6º. Goianésia do Pará – 109,6 homicídios por 100 mil
  • 7º. Serra – 109 homicídios por 100 mil
  • 8º. Maceió – 107,1 homicídios por 100 mil
  • 9º.Itapissuma – 106,8 homicídios por 100 mil
  • 10º. Guairá – 103,6 homicídios por 100 mil

Com informações do Pnud, da Onu, do Ministério da Justiça e o portal R7.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Já estão disponíveis aqui os nossos três últimos boletins "Minutos, Pero no Mucho", com os principais destaques dos países latino-americanos nessas semanas que antecedem a revista radiofônica "Diferente, Pero no Mucho".

E na próxima quarta-feira (28/09), 19h, tem "Diferente, Pero no Mucho" na Rádio Unesp FM (105,7 ou http://radio.unesp.br/vivo/ ).

Ouça os boletins:

Minutos, Pero no Mucho (27/09/2011)
Pero 27-09-2011 by Diferente, Pero no Mucho

Minutos, Pero no Mucho (20/09/2011)
Pero 15-09-2011 by Diferente, Pero no Mucho



Minutos, Pero no Mucho (13/09/2011)
Pero 08-09-2011 by Diferente, Pero no Mucho

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Após ter 35 dos candidatos assassinados, Guatemala terá segundo turno nas eleições

A votação nos 2.500 colégios eleitorais da Guatemala ocorreu em clima de tranquilidade após uma corrida eleitoral digna de roteiro de filme. Cerca de 7,3 milhões de eleitores votaram, mas a decisão de quem vai governar o país pelos próximos quatro anos ficou para o segundo turno.

Para que o resultado saísse, era necessário que um dos dez candidatos que concorreram à Presidência obtivesse 50% mais um dos votos válidos. Como isso não aconteceu, os guatemaltecos voltarão às urnas no próximo dia 6 de novembro. Eles deverão escolher entre o general de direita Otto Pérez Molina (à esquerda na foto), do Partido Patriota, e o centrista Manuel Baldizón (à direita na foto), da Liberdade Democrática Renovada. Molina recebeu mais de 1,6 milhão de votos (36, 03%), contra pouco mais de 1 milhão de seu adversário, o equivalente a 23,2% dos votos.

As eleições foram marcadas pelo assassinato de 35 candidatos durante a corrida eleitoral. Há também suspeitas de que algumas campanhas foram financiadas por narcotraficantes, como o cartel mexicano Los Zetas, que domina o norte da Guatemala.

Outra polêmica envolveu a então favorita à Presidência, Sandra Torres. Em março, ela se divorciou do atual presidente, Álvaro Colom, para concorrer ao cargo, já que a Constituição do país proíbe a candidatura de parentes próximos. Entretanto, há cerca de um mês, a Suprema Corte da Guatemala decidiu que a atitude da ex-primeira-dama era ilegal, cancelando sua candidatura.

Além dos representantes do Poder Executivo nacional, os guatemaltecos elegeram 158 deputados para o Congresso e 20 para o Parlamento Centro-Americano, além de 333 prefeitos. É a quarta vez que a Guatemala realizada eleições depois do fim da guerra civil, em 1996. O conflito durou 36 anos, aumentando a pobreza e os índices de criminalidade no país.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Salário Mínimo é reajustado na Argentina

Em um boletim, a nossa correspondente Aline Camargo conta os detalhes do aumento do salário mínimo argentino, aprovado pela presidente Cristina Kirchner. A presidente, que está a dois meses de concorrer à re-eleição, declarou que o importante não é apenas o reajuste. Ouça:


Boletim salário mínimo na Argentina by Diferente, Pero no Mucho

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Hugo Chávez defende ex-ditador da Líbia e propõe contraofensiva

Chávez é um dos principais aliados do governo de Kadafi

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu que o ex-ditador líbio Muamar Kadafi resista à crise política vivida em seu país e afirmou que apoia o seu governo. Na América Latina, Chávez é o principal aliado de Kadafi, cujo paradeiro é desconhecido desde o dia 20 de agosto.

Em entrevista à emissora de televisão estatal VTV, o venezuelano afirmou que “ninguém sabe onde Kadafi está”, mas que tem certeza de que “ele está longe de pensar em deixar a Líbia”. Para Chávez, os conflitos que acontecem no país africano desde fevereiro seriam uma tentativa da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e dos Estados Unidos de controlar a produção petrolífera da Líbia.

O presidente ainda defendeu a formação de um grupo que promova “uma contraofensiva mais coordenada para deter essa barbárie”, o qual seria formado pelos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), pelos que possuem governos de esquerda na América Latina e também pelas nações africanas. Segundo Hugo Chávez, essa comissão teria como fim mediar e encontrar uma solução não violenta para o conflito.

Ele também criticou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que os métodos usados na Líbia poderiam fazer parte do conflito contra o terrorismo em outros países. "Não venham inventando que temos armas químicas, que estamos massacrando nossa população, que apoiamos o terrorismo. Não venham com sua frota incendiar nosso continente", disse Chávez.


Laços antigos


As relações entre o presidente da Venezuela e o ex-ditador líbio, entretanto, não começaram apenas após o início dos conflitos. Em setembro de 2009, por exemplo, após a 2ª Cúpula América do Sul-África, eles se reuniram em Caracas, capital venezuelana, para assinar oito acordos de cooperação entre os países. Ambos afirmaram que o objetivo era desafiar o “imperialismo” das nações ricas.

Naquela ocasião, Chávez comparou Kadafi ao herói da independência venezuelana. “O que Simon Bolívar fez para o povo venezuelano, Muamar Kadafi fez para o povo líbio. Ele é o libertador da Líbia”, afirmou.

Em março do mesmo ano, foi Kadafi quem homenageou Hugo Chávez, quando um estádio de futebol na cidade de Benghazi, no norte da Líbia, foi batizado com o nome do presidente do país sul-americano.